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Telas que ensinam, distraem e conectam: tecnologia está transformando educação no Brasil

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    Revista EntreVerbos
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Plataformas digitais e IA ganham espaço nas escolas, mas educadores alertam para desafios da distração e do equilíbrio com analógico


Autor: Thomas Rossini Braga


Alunos utilizando notebooks em atividad pedagógica. (Foto: Thomas Rossini Braga)
Alunos utilizando notebooks em atividad pedagógica. (Foto: Thomas Rossini Braga)

A sala de aula mudou. O quadro negro e o giz dividem espaço com tablets, notebooks e inteligência artificial. A tecnologia deixou de ser apenas apoio e se tornou parte ativa do processo educacional.


Para Isabela Trindade Guerreiro, professora de Educação Tecnológica, a mudança mais impactante foi essa transição. "A tecnologia passou a ser parte ativa da aprendizagem, com plataformas digitais e projetos makers que desenvolvem autonomia", afirma. As ferramentas ampliaram o protagonismo dos jovens, que aprendem de forma mais interativa.


Mas Isabela também vê pontos negativos. "Aumentaram a distração dos alunos, a dependência de telas e a dificuldade de filtrar informações confiáveis."


Os impactos na primeira infância


Os hábitos digitais começam cedo. Suzi Maria Gonçalves, professora da educação infantil, vê os efeitos do contato precoce com telas. "Crianças que usam muita tecnologia não desenvolvem habilidades motoras finas, como segurar tesoura e lápis", explica.


Ela percebe queda na atenção, especialmente após as férias. A escola busca equilíbrio: usa tecnologia quando o material exige, mas resgata brincadeiras clássicas. "As crianças estão perdendo a socialização", pondera.


Por outro lado, a tecnologia é aliada para crianças com necessidades especiais – como autismo e TDAH –, pois facilita o aprendizado.




Gestão escolar e comunicação


Paula Augusta Burjato Ferrari, coordenadora de educação infantil, destaca que a tecnologia revolucionou a comunicação com as famílias. A escola usa um aplicativo para enviar a rotina dos alunos.


"Isso trouxe facilidade", avalia. O sucesso depende do compromisso dos professores em alimentar os sistemas. 


Legenda: Professora Suzi Maria Gonçalves utilizando diferentes telas para apoiar sua aula. (Foto: Thomas Rossini Braga) 
Legenda: Professora Suzi Maria Gonçalves utilizando diferentes telas para apoiar sua aula. (Foto: Thomas Rossini Braga) 

O legado da pandemia e a IA


A pandemia foi um ponto de virada. Professores aprenderam a usar Google Meet em dias. Muitas ferramentas permaneceram, como reuniões virtuais. 


Sobre IA, Paula afirma que professores identificam trabalhos gerados por inteligência artificial por conhecerem o estilo de cada aluno. A escola adota estratégias variadas de avaliação, incentivando o "aluno protagonista".


Hoje, algumas escolas já instituem o ensino obrigatório de IA no ensino médio e fundamental, preparando alunos para utilizar os recursos da melhor forma.


Comportamento em transformação


As mudanças no comportamento dos alunos são preocupação constante. Quando algo foge do esperado, os pais são chamados e o uso de telas em casa é investigado.


Após feriados, é mais difícil concentrar as crianças em atividades manuais. "A gente tem que retroceder para conseguir foco", desabafa Suzi. 


O melhor dos dois mundos


A relação com os pais também mudou. Se a tecnologia trouxe conforto, também criou desafios. Alguns pais ignoram recados virtuais, forçando a escola a manter agendas físicas.


Ao mesmo tempo, muitos valorizam a escola conectada, mas apreciam atividades analógicas. "A gente tem o melhor dos dois mundos", resume Suzi.


As educadoras concordam: a tecnologia veio para ficar, mas seu sucesso depende do equilíbrio entre o digital e o humano.

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